Jornalismo móvel ganha mais espaço nas redações brasileiras

byEvandro Almeida Jr
Feb 26, 2019 in Jornalismo multimídia
Reportagem mobile

A cada ano, os smartphones vão se tornando mais acessíveis e ganhando novas funções, facilitando e popularizando o jornalismo móvel --também conhecido como mojo (do inglês “mobile journalism”).

Um exemplo de jornalismo móvel que se destacou no Brasil foi o projeto Carrapato Estadão, de O Estado de São Paulo, em que repórteres acompanharam em vídeo a rotina e a agenda dos principais candidatos à Presidência da República pelo Instagram (IGTV) e YouTube.

Pensando em novos formatos para a cobertura da eleição presidencial no Brasil, o diretor de jornalismo do Grupo Estado, João Caminoto, criou o projeto para atingir o público jovem, visto que os leitores do jornal são em sua maioria adultos de mais de 40 anos e de classe média alta.

Um dos cinco integrantes da equipe Carrapato, o repórter Gabriel Wainer conta que sofreu certo preconceito de seus colegas de rua no início das coberturas. “No início era um pouco difícil darem credibilidade. Daí começamos a sair com o crachá do Estadão e ficou mais tranquilo”, disse ele.

Carrapato
Captura de tela da entrada do repórter Gabriel Wainer 

Wainer acrescentou que o smartphone foi uma ferramenta essencial: “A principal vantagem é que conseguimos fazer um trabalho profundo, no sentido de conteúdo e presença dos candidatos, utilizando pouco material, que não ocupa muito espaço e que não é difícil de carregar.”

O uso do smartphone no jornalismo não se limita ao mojo. O produtor de mídia argentino Matias Amigo, especialista em jornalismo móvel, disse que a reportagem móvel é um complemento para todos os meios, podendo ser aplicada em cada um deles: seja rádio, TV, web, etc. Segundo Amigo, as principais vantagens do jornalismo móvel são a instantaneidade de poder escrever uma nota, tirar uma foto e já enviar para a redação.

Bruna Barone, repórter da rádio BandNews, também ressaltou que o smartphone facilita a comunicação com a redação. “Aproveitamos essa tecnologia a nosso favor, principalmente, se for uma grande cobertura: estar em contato com produtores, coordenadores — o celular é essencial nisso”, disse ela.

Paula Idoeta, produtora da BBC News Brasil, contou que a BBC tem empregado mais recentemente entradas ao vivo de repórteres, via Facebook ou YouTube, para momentos “quentes” do noticiário. Ela explicou que independente de qual seja o aparelho para captação de imagens, se há qualidade na produção e agrega valor ao material informativo, sua equipe utiliza o conteúdo “sempre tendo como objetivo máximo oferecer o que tivermos de melhor para nosso leitor/espectador”.

Uso de smartphone e consumo de vídeos aumentam entre consumidores

No Brasil, existem cerca de 220 milhões de smartphones, segundo dados da 29ª Pesquisa Anual do Uso de TI 2018 da Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de 86 milhões de computadores portáteis.

Enquanto o consumo de notícias através dos meios tradicionais vem caindo, o consumo de notícias e vídeos online via smartphone está crescendo, segundo a pesquisa Video Viewers (2018) de Maria Helena Marinho. “A pesquisa mostra que o YouTube é o campeão da preferência do público para assistir a vídeos, além de ser o segundo maior destino para o consumo desse formato no país, ficando apenas 3 pontos percentuais atrás da líder, a TV Globo”, ela afirmou.

Entre os jovens, esta tendência é ainda mais marcante. Segundo a pesquisa Juventude Conectada 2”, realizada pela Fundação Telefônica Vivo em 2016, o YouTube já é maior entre o público jovem que os demais canais de TV aberta somados em número de vídeos assistidos no Brasil.

De olho nessas tendências, jornalistas inovadores, como Carolina Oms, cofundadora da revista digital AZMina, priorizam projetos no formato mobile, principalmente na produção de conteúdo para redes sociais.

“Damos a informação de jeito fácil, agradável e intuitivo. Buscamos o leitor, não é ele que nos busca,” disse Oms no workshop “Desenvolvendo modelos de negócios para startups de mídia”, organizado pelo Centro International para Jornalistas (ICFJ, em inglês) em outubro.


Evandro Almeida Jr é jornalista móvel, com foco nessa área há dois anos. Ele é graduado pela FIAM FAAM Centro Universitários e criou o site multimídia Humanitária.

Imagem sob licença CC no Flickr por Leonardo Sá/Agência Senado