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O que jornalistas e documentaristas podem aprender uns com os outros

O que jornalistas e documentaristas podem aprender uns com os outros

Margaret Looney | 18/02/14

Com recursos multimídia nativos da Web e elementos interativos que permeiam tanto o jornalismo como o documentário, dois ofícios que antes eram distintos estão começando a se confundir.

Especialistas de ambos os campos se reuniram para discutir as sutis diferenças entre esses tipos de narrativas e o que podem aprender um com o outro em um evento recente do Women in Film and Video em Washington.

Rick Young, produtor do programa Frontline, da PBS (rede de televisão pública americana), disse que acredita que a principal diferença entre a fazer documentário e jornalismo se resume ao processo editorial.

Documentaristas muitas vezes vão sozinhos, ou assumindo filmes como projetos paralelos ou de forma independente produzindo filmes em suas horas livres. No jornalismo, há um editor que, às vezes, limita a liberdade criativa, mas também acrescenta estrutura e prestação de contas.

"Esse processo editorial está constantemente testando você, a força da história e a credibilidade de suas fontes, mas, acima de tudo, testa a astúcia de suas ideias", disse Young.

Judith Dwan Hallet, produtora de documentários, trabalhou em conjunto com jornalistas e cineastas em vários projetos, e diz que viu um aprendendo com o outro.

"Cineastas aprenderam a escrever de uma forma sucinta e precisa, como não se apaixonar por cada cena visual e como cortar cenas, ficando com a essência de uma história", disse ela. "Os jornalistas aprenderam a contar uma história visualmente e emocionalmente, com forte desenvolvimento da personagem. Eles aprenderam a deixar a história respirar... e dão mais importância às pessoas nas histórias."

Mas, apesar da possibilidade de se beneficiarem dessa troca de experiências, "há diferentes culturas e crenças que um tem sobre o outro que são realmente imprecisas", disse Patricia Aufderheide, diretora do Center for Media and Social Impact (CMSI) na American University.

Por exemplo, documentaristas vão dizer que não são jornalistas, porque contam histórias artisticamente, Aufderheide disse, ao passo que jornalistas muitas vezes acreditam apenas que estão relatando os fatos.

Jornalistas também têm um código de ética para se apoiar, enquanto que documentaristas não tem diretrizes claras, mas no relatório Honest Truths do CMSI, Aufderheide estudou a abordagem a ética do documentarista e não encontrou diferenças significativas na forma como os dois campos lidam com questões éticas.

E há ainda a tradição no jornalismo de mostrar mais do que um lado da história. Documentaristas muitas vezes não tomam essa atitude, uma vez que muitos filmes estabelecem um ponto de vista.

Alicia Shepard, ex-ombudsman da National Public Radio (NPR), disse que as redações também estão começando a se afastar dessa prática, especialmente em questões sociais práticas. Por exemplo, Shepard disse que a NPR decidiu tomar a posição de que as mudanças climáticas existe, enquanto algumas agências de notícias ainda se certificam de incluir a perspectiva de detratores das mudanças climáticas em reportagens relacionadas com o tema.

Mas Young respondeu que buscar os pontos de vista de uma história pode ser uma característica positiva em qualquer ofício, porque acrescenta uma tensão dramática, complexidade e nuances que são inerentemente mais envolventes, disse ele. "É o cinza que o torna interessante."

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências da mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

@margylooney

Foto de Rick Young, Patricia Aufderheide e Alicia Shepard por Margaret Looney.

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