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Novo site reúne lições de empreendedorismo de mídia

Novo site reúne lições de empreendedorismo de mídia

Renata Johnson | 26/09/17

Priscila Brito é uma empreendedora digital que criou seu próprio negócio de jornalismo e quer ajudar outros jornalistas no Brasil a fazer o mesmo.

Em abril desse ano, Priscila foi uma das jornalistas escolhidas para participar do programa "A Digital Path to Entrepreneurship and Innovation for Latin America" (Um Caminho Digital para Empreendedorismo e Inovação para a América Latina), um intercâmbio profissional patrocinado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e realizado pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês).

A cofundadora e editora-chefe do site Festivalando voltou do programa, que incluiu estágios no site de notícias Voice of San Diego e na SembraMedia, com a bagagem cheia de lições sobre jornalismo empreendedor.   

Priscila agora compartilha o que aprendeu no site Negócio de Jornalista, um guia de recursos para jornalistas que desejam financiar e expandir seus negócios de mídia digital.

IJNet: Conte um pouquinho sobre o que levou você a criar o projeto Negócio de Jornalista:

Priscila Brito: O projeto é resultado direto do meu fellowship. Combina o que aprendi durante o período em que fiquei nos Estados Unidos com a minha experiência pessoal na criação do Festivalando. Quando me candidatei ao fellowship, tinha em mente fazer algo próximo do trabalho desenvolvido pela SembraMedia, uma das instituições onde trabalhei nesse intercâmbio e que faz esse trabalho de suporte aos jornalistas empreendedores em língua espanhola. Não havia nada semelhante em língua portuguesa e pela minha experiência pessoal sabia o quanto esse tipo de informação fazia falta para jornalistas em condições semelhantes à minha, com uma ideia para colocar em prática, uma formação tradicional e sem nenhuma referência na criação de projetos. 

Quais foram as lições mais importantes que tirou do intercâmbio?

Aprendi que há caminhos possíveis para o jornalismo nesse furacão digital, mas não há um trajeto certo ou definido. Vamos precisar de mais autonomia e iniciativa pra percorrer esses novos caminhos. É preciso também dar uma atenção muito maior ao relacionamento que temos com nossa audiência, deixando de enxergá-la como algo dado, e deixar bastante claro o valor que existe na informação que está sendo produzida. 

O que você sabe hoje que gostaria de ter aprendido quando criou o Festivalando? 

Gostaria de ter aprendido que eu deveria, desde o primeiro momento, enxergar minha ideia como um negócio de verdade, me enxergar como uma empreendedora e agir metodicamente para gerar receita.

Muitos jornalistas têm ideias bacanas, mas poucas saem do papel ou mesmo vão para o papel. Como fazer para superar isso?

Antes de tudo tem que entender se o seu perfil é este. É uma linha de atuação como tantas outras e cada profissional se sai melhor em umas em comparação  com outras. Alguns se adequam muito bem ao trabalho de redação (uns na TV, outros em impresso), outros se dão melhor em assessoria, outros no serviço público, outros conduzindo seus próprios projetos e negócios. Tem também que buscar formação e informação para preencher as lacunas do que não foi ensinado no curso de jornalismo a esse respeito. De resto, é colocar a ideia em prática com planejamento, mas sem perfeccionismo exagerado. A gente às vezes pensa que a ideia nunca é boa o suficiente e fica postergando a execução. As coisas vão se moldando e se ajustando no decorrer do processo.

Acha que realmente dá para ganhar um sustento com um projeto próprio? O jornalismo empreendedor é uma opção viável para a falta de emprego ou funciona mais como uma maneira de obter experiência?

É possível, com todos os riscos e incertezas que um negócio envolve. Há também a própria incerteza do mercado, pois estas novas iniciativas são um ecossistema que está se formando em consequência das mudanças bruscas ocorridas na comunicação e não se sabe se novas mudanças podem vir a provocar outras formas de reorganizar o trabalho. Mas, por hora, é um caminho, sim.

Depois de realizar uma ideia, como garantir a sustentabilidade? 

Essa é a resposta que todo mundo quer saber. O que todos os estudos sobre veículos digitais independentes apontam é a importância da diversificação das fontes de receitas. São várias as possibilidades de geração de renda, mas o que vai funcionar para cada veículo vai depender do perfil e do tamanho da audiência, do nicho de mercado e da realidade econômica. 

Quais são seus planos para o futuro do projeto? Pretende oferecer cursos presenciais ou online? Formar uma rede?

Sim, esses são dois dos caminhos que tenho em mente. Como eu estou apenas começando a divulgação, quero medir as respostas e as reações para identificar quais seriam as demandas desse grupo de jornalistas interessados em empreender. Precisaria de um suporte maior para ir além, e já tenho em vista como poderia obter isso.  

O que diria a quem pensa em iniciar um projeto de jornalismo? 

Tem que "mudar a chave" e começar a pensar o seu trabalho sob uma outra perspectiva, que não é exatamente aquela que nos ensinam na universidade nem aquela que está no imaginário sobre o que é ser jornalista.

Imagem principal captura de tela do site Negócio de Jornalista. Imagem secundária cortesia de Priscila Brito por Anahiê Lopes.

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