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Mulheres assumem liderança na mídia digital da América Latina

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Mulheres assumem liderança na mídia digital da América Latina

James Breiner | 19/08/17

As mulheres estão conseguindo um papel de liderança no desenvolvimento do jornalismo digital na América Latina, de acordo com um novo estudo de 100 startups.

O estudo, Inflection Point [Ponto de Inflexão], pela SembraMedia em parceria com a Omidyar Network oferece muitas pistas para a meta distante de alcançar a sustentabilidade das novas mídias digitais.

Uma pista é que as mulheres têm as habilidades e experiência para liderar o caminho: 62 por cento das 100 organizações no estudo tinham pelo menos uma mulher fundadora, e as mulheres representavam 38 por cento dos fundadores totais de toda a mídia (pg. 41 na versão em PDF).

As entrevistas extensas com as fundadoras -- 25 da Argentina, Brasil, Colômbia e México -- produziram dados que esclareceram os elementos dos modelos de negócios bem-sucedidos e mostraram os melhores lugares para investir recursos e treinamento.

"Esta descoberta sugere que as mulheres estão aproveitando as baixas barreiras para a entrada em startups de mídia digital para circundar os tetos de vidro da mídia tradicional e construir suas próprias editoras", escreveram as diretoras do estudo, Janine Warner e Mijal Iastebner, que também são cofundadoras da SembraMedia. (Observação: Trabalhei como editor do estudo.)

As descobertas são notáveis, dado o domínio masculino da propriedade e gestão na mídia tradicional na América Latina. "Acreditamos que esta descoberta sobre o número relativamente elevado de mulheres em papéis de liderança na mídia digital na América Latina é significativa e merece mais estudos", escreveram as autoras.

Em um estudo de 2014 sobre a propriedade da mídia mexicana, Aimée Vega Montiel, da Universidade Autónoma do México, descobriu que menos de 1 por cento dos proprietários das estações de televisão eram mulheres e nenhum dos jornais do país incluía uma proprietária mulher. Entre suas outras descobertas:

  • Diretores. Não havia uma mulher entre os 52 membros do conselho do Grupo Televisa e da Televisión Azteca, os dois grupos de televisão dominantes, nem entre outros dois importantes grupos de TV.
  • No rádio, as mulheres tinham 8 por cento das posições de direção; e nos jornais, 11 por cento.
  • Executivos. Na televisão, nenhuma mulher tinha cargos executivos sêniors -- não em administração, finanças ou editorial. No rádio, tinham 11 por cento dessas posições estratégicas e na mídia impressa, 13 por cento (2014, pgs. 198-205).

Vega Montiel observou que a falta de acesso das mulheres a cargos de autoridade na mídia no México "as deixam marginalizadas em um dos setores mais importantes do capitalismo global: o das indústrias culturais "(pg. 205). (Leia estudo completo em PDF.)

Evidências anedóticas sugerem que a situação é similar na maioria dos outros países da América Latina.

Histórias de sucesso desafiam as tendências

No entanto, o estudo da SembraMedia/Omidyar é repleto de exemplos de histórias de sucesso da mídia dirigida por mulheres.

  • Economía Femini(s)ta da Argentina, fundada por duas economistas, Mercedes D’Alessandro e Magalí Brosio, produziu artigos que atraíram atenção da mídia internacional, em particular um estudo de desigualdade salarial intitulado "As mulheres ganham menos do que os homens ao redor do mundo, e sua mãe também". O ministério da economia do país incluiu os artigos da publicação em seu site.
  • Aristegui Noticias do Mexico, fundado e dirigido por Carmen Aristegui, fez parte da equipe original de reportagem da investigação dos "Panama Papers", que ganhou o Prêmio Pulitzer. Além disso, a equipe de investigação de Aristegui revelou que a esposa do presidente Enrique Peña Nieto havia comprado uma casa de US$7 milhões na Cidade do México com um empréstimo de uma empresa cujo proprietário havia recebido milhões em contratos de Peña Nieto durante seu tempo como governador do estado do México. 
  • Juanita León, cofundadora e editora do La Silla Vacía, e sua equipe ganharam o prestigiado prêmio de jornalismo García Márquez em 2016 pela cobertura do processo de paz na Colômbia. Ela e sua equipe foram líderes em visualização de dados, como na seção sobre Super Poderoso da Colômbia.
  • [Nota da Editora] Exemplos do Brasil incluem Kátia Brasil, cofundadora da Amazônia Real, e Tai Nalon, cofundadora e diretora de Aos Fatos. 

O estudo recomenda mais investigação sobre o "fenômeno sem precedentes" das mulheres líderes emergentes na mídia. Também sugeriu que a cobertura desta tendência poderia incentivar mais mulheres a lançarem sua própria mídia. Os recursos para ajudá-las já existem. Muitas organizações e recursos internacionais visam desenvolver mulheres empreendedoras e líderes de mídia. O próximo passo é conectar as empresárias com os recursos.

Este post originalmente no blog News Entrepreneurs de James Breiner e aparece na IJNet com permissãoJames Breiner foi bolsista Knight do IJFJ e lançou e dirigiu o Centro para Jornalismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica.

A IJNet publicou recentemente uma série de artigos que examinam o estudo da SembraMedia. Clique aqui para ler a primeira parte.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Mike Gifford. Imagens secundárias cortesia da SembraMedia.

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