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Junte-se a nós na criação de um guia de jornalismo de dados para a América Latina

Junte-se a nós na criação de um guia de jornalismo de dados para a América Latina

Miguel Paz | 19/03/13

Tudo começou com uma conversa numa conferência entre um grupo de jornalistas latino-americanos sobre a lista de discussão do National Institute for Computer-Assisted Reporting (NICAR) e o Data Journalism Handbook (o Manual de Jornalismo de Dados do European Journalism Centre e da Open Knowledge Foundation).

Com um pouco de inveja e uma admiração enorme, a maioria de nós concordou que era surpreendente que jornalistas, programadores e designers americanos e a comunidade de hacks e hackers europeus se comunicassem com tanta frequência. Eles compartilharam ideias, ferramentas e dicas, e até mesmo se reuniram para iniciar a redação colaborativa do Manual no MozFest em 2011.

Enquanto isso, na América Latina, tivemos o cenário oposto: pouquíssimas redes de jornalistas, pouca comunicação entre eles e quase nenhuma comunicação com os programadores e designers. A falta de confiança foi um impedimento fundamental para um ajudar o outro a melhorar nossos métodos de jornalismo de dados e abraçar a inovação nas redações. Além disso, embora tenhamos grandes jornalistas em nossa região, a maioria deles não fala ou entende inglês (a língua da maioria das ferramentas relevantes) -- de modo que há uma falha enorme em matéria de alfabetização digital.

Em nossas conversas sobre o Manual de Jornalismo de Dados, um tópico destacou-se dos demais. Nos Estados Unidos ou Inglaterra, a obtenção de bancos de dados relevantes para pesquisar e apurar matérias pode ser uma questão simples. Mas nos contextos locais de nossos países ibero-americanos (do México à Patagônia, do Brasil à Espanha), encontramos situações radicalmente diferentes quando se trata de acesso a dados públicos, financiamento de campanha, leis sobre a liberdade de imprensa, transparência, acesso a pedidos de informação, políticas governamentais sobre dados abertos e níveis de segurança de risco baixo a elevado para jornalistas e hackers.

Então nós nos perguntamos: Como você faz jornalismo de dados quando não é fácil acessar os dados, quando as ferramentas estão em outro idioma, as redes são escassas e as situações são muito diferentes de país para país?

"Precisamos criar o nosso próprio caminho", todos nós concordamos.

  A fim de fazer isso, em outubro de 2012, realizamos um workshop de "brainstorming" na MediaParty do HacksHackers em Buenos Aires. Após o evento, continuamos a conversa através de uma lista de discussão. Passamos meses trabalhando em direção a algo que se torna uma realidade hoje. Estamos lançando oficialmente a redação colaborativa do Manual de Jornalismo de Dados Ibero-Americano.

Este projeto será escrito em nossas próprias línguas por jornalistas voluntários, programadores e designers do México à Patagônia e Espanha, com a missão de mostrar o estado do jornalismo de dados na América Ibérica, explicar como fazer jornalismo de dados em nossos países, melhorar nossas redes de comunicação, ajudar nossa comunidade a acelerar seu aprendizado e fornecer as ferramentas para fazer um jornalismo melhor.

O Manual de Jornalismo de Dados Ibero-Americano (Manual de Periodismo Iberoamericano de Datos) incluirá:

  • As melhores partes do Data Journalism Handbook e outros manuais com a licença Creative Commons 3.0. Unported.
  • Guias e tutoriais sobre assuntos como bancos de dados, pesquisa na Web profunda, mineração e extração de dados, visualização e mapeamento de dados, dados abertos, acesso à informação pública e segurança cibernética, entre outros temas.
  • As melhores ferramentas, exemplos e projetos de código aberto.
  • Relatórios de países sobre:
    1. Jornalismo de dados (quem faz jornalismo de dados em cada país, quais são os casos notáveis, etc)
    2. Existência e qualidade das leis de imprensa, de informação e transparência (existe alguma, funciona, o que não funciona, como lidar com essas questões por país).
    3. Dados abertos e políticas governamentais de dados abertos.

JUNTE-SE A NÓS E AJUDE NA CRIAÇÃO DO MANUAL

Um total de 64 pessoas já se juntou ao projeto e irá colaborar em tarefas como a escrita, design, codificação e promoção do manual. Você também pode fazer parte. Cadastre-se através deste formulário. Em seguida, nós lhe enviaremos um questionário simples sobre suas habilidades para que você possa preencher e enviar de volta para ser editado como parte do material para o Manual. (Se você não tem tempo suficiente, mas gostaria de fazer parte desta comunidade em crescimento, inscreva-se na lista de discussão).

Eu estarei coordenando esse projeto colaborativo como parte da minha bolsa do Knight International Journalism Fellowship. Outros bolsistas do programa contribuirão também. Sandra Crucianelli vai escrever sobre a investigação na Web profunda, jornalismo direcionado por banco de dados e a criação de equipes de jornalismo de dados nas redações. Jorge Luis Sierra vai contribuir com capítulos sobre segurança e segurança cibernética. E Mariana Santos vai desenvolver guias sobre visualização de dados.

Nosso cronograma para esta iniciativa é de seis meses de duração. Começa com a redação entre março e maio, continua com a edição do Manual de junho e julho e termina com o lançamento do Manual, em agosto de 2013. Nesta ocasião, o livro será liberado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported na Web e em versões e-book (e em papel, se houver uma editora ou universidade interessados ​​em publicá-lo).

MOSTRANDO NOSSO TRABALHO NA WEB ABERTA

O Manual de Jornalismo de Dados Ibero-Americano destina-se a ser construído de forma aberta. Nós dizemos a vocês que tudo começou como uma ideia em torno de algumas cervejas, mostramos os esboços e estruturas que fizemos para a primeira versão do site e, tanto quanto possível, usamos código aberto e ferramentas livres para desenvolver o projeto.

O site foi desenvolvido utilizando Bootstrap, é construído em cima da adorável fonte aberta Web App Template, implementada pelo excelente News Applications Team da NPR, e tudo é hospedado gratuitamente no Github. Nosso blog está no Tumblr. Os formulários e lista de discussão são feitos usando Google Drive e Groups. Quando começarmos a editar o Manual, tudo estará disponível no ReadTheDocs e Github. E se precisamos fazer reuniões com a comunidade, usaremos Etherpad ao aberto (agradecemos à comunidade Mozilla Open News por todas as ideias que roubamos deles).

Esperamos que esse projeto seja divertido, alegre e intenso. O culminar deste projeto será o PeriodismodeDatos.org, um kit de ferramentas muito necessário em língua espanhola sobre jornalismo de dados e uma comunidade online que vai aprender com a experiência do Manual e será um lugar para apresentar projetos, compartilhar ferramentas, código, conhecimentos e recursos de treinamento.

Enquanto ainda estamos à procura de fundos e alianças para apoiar tudo isso, nossa crença é que nada é feito se você só ficar esperando por dinheiro. Em vez disso, estamos caminhando com base na filosofia de que “feito é melhor que perfeito". Isto é especialmente verdade quando uma comunidade ibero-americana incrível está nascendo e crescendo enquanto você lê esse artigo.

Bienvenidos!

Comentários

Discriminacao mais perniciosa = a da lingua

Excelente a iniciativa e as limitacoes por ter a lingua "errada" foi abordada ,no entanto se se pensar no cidadao comum o indice dos que enrendem ingles ainda e muito mais baixo do que na classe de jornalista -imaginemos portanto a ignorancia e inferioridade/desvantagem em que se encontram milhoes de seres em relacao aos nativos de ingles.Pouco se fala/pensa ou contraria esta discriminacao. Sem duvida os jornalistas podem ter um papel mobilizador para que eficientemente se contrarie essa fraqueza. Ao nao se trabalhar em equipa para que em espanhol/portugues se aceda a qualidade/qualidade de ciencia/cultura/informacao que (ate na web) tem a disposicao quem fala ingles. Esta imobilidade chega a ser evidente quando se acede a estados sul EUA onde Universidades/municipios poem em espanhol recursos que muitos meios dos paises mais a sul deviam aproveitar, ampliar e intercambiar. Ate os governos dos paises sao indiferentes a discriminacao que prejudica seus nacionais para empregos/comunicacao internacional. A ver se a inciativa vinga e abre novas perpectivas. Aqui fazia uma referencia aos jornalistas e cidadaos de Cuba que precisam da nossa solidariedade e apoio para que dadas as limitacoes e isolamentos a que sao sujeitos,possam participar nestas novas formas de colaborar e comunicar. Claro que a web esta muito bloqueada na comunicacao para la mas com engenho vamos poder ser solidarios tambem com todos cristof@sapo.pt