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Ferramentas do Google para melhorar reportagens digitais

Ferramentas do Google para melhorar reportagens digitais

Sara Olstad | 13/10/17

Ferramentas digitais fáceis de usar, como Google Fusion Tables e Google MyMaps, podem ajudar jornalistas a acrescentar dados e visualizações a suas reportagens, desvendando tópicos complexos sem perder nenhuma nuance do problema.

IndiaSpend, o primeiro serviço de jornalismo de dados da Índia, usou essas ferramentas para contar a história da desmonetização, a decisão do primeiro-ministro Narendra Modi de desvalorizar mais de 86 por cento da moeda indiana do dia para a noite. Essa política levou a um caos financeiro. Depois disso, um editor do IndiaSpend reuniu horas de entrevistas, centenas dados e fotos de Mumbai para mostrar como a política afetou diretamente o rendimento das empresas locais, em muitos casos gerando uma perda de receita de mais de 50 por cento. 

O IndiaSpend organizou esses dados no Google Sheets e usou para ativar uma visualização do MyMaps que mapeou a localização de cada um dos proprietários em sua pesquisa. Clicar em uma loja no mapa revela mais informações sobre cada negócio e sua luta financeira, permitindo que os leitores identifiquem as tendências em Mumbai e nas áreas rurais próximas. O mapa gerou um engajamento significativo no site, incluindo mais de 20.000 cliques e mais que o dobro do tempo que os leitores gastam em uma página média do artigo no IndiaSpend.

A mídia em toda a Índia cobriu a desmonetização, mas o que fez a reportagem do IndiaSpend diferente foi o uso de mapas e outras ferramentas de visualização de dados da equipe para completar um projeto que teria sido quase impossível de contar apenas com texto. Irshad Daftari, bolsista Google do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), apresentou estas ferramentas digitais e ensinou aos jornalistas na Índia como integrá-las em suas reportagens. Com o apoio do Google News Lab, o ICFJ levou o bolsista a salas de redação indianas por um ano para impulsionar a adoção das mais recentes ferramentas, estratégias de distribuição de conteúdo e técnicas de engajamento de público.

Outras mídias perceberam a força do jornalismo de dados e multimídia inovadora dessa matéria. A Rede Global de Editores escolheu a IndiaSpend para um Prêmio de Jornalismo de Dados 2017 pela série "Currency Chaos", que incluiu essa história.

"Utilizamos muitas das ferramentas e conceitos introduzidos por Irshad na nossa redação - Google Maps, Fusion Tables, tuites ao vivo e vídeos ao vivo", disse o editor do IndiaSpend, Samar Halarnkar. "Foi nossa primeira tentativa de usar muitas dessas ferramentas interativas, e conseguimos juntá-las em grande escala, especialmente para uma série de matérias como essa."

Conversamos com a equipe do IndiaSpend e Daftari sobre o uso de ferramentas digitais para apurar a desmonetização - e como outras redações podem incorporar mais multimídia em suas reportagens:

Como vocês decidiram quais ferramentas usar para contar esta história?

Irshad Daftari, bolsista Knight do ICFJ: Esta história levou duas a três semanas de planejamento e 24 pessoas foram entrevistadas. Incluiu fotos, vídeos, tuites e dados sobre demografia, renda, etc. O projeto exigiu uma maneira elegante de contar a história de cada dono de loja dentro da história maior, sem recorrer a um gráfico. Nossa esperança para a visualização do Google MyMaps é oferecer ao leitor um panorama em termos de geografia, distribuição e dados.

Alison Saldanha, editora assistente do IndiaSpend: Nós tínhamos muitos dados sobre esses donos de loja, [e] eu queria colocar um rosto aos números, usando o MyMaps para criar um perfil para cada pessoa. Conheci essas pessoas e obtive detalhes sobre como cada uma delas estava enfrentando a desmonetização.

Eu comecei este projeto de uma maneira muito metódica: calculei percentuais de quantos [proprietários] disseram sim e não a cada pergunta para criar gráficos. Mas havia mais do que isso nos dados, e eu queria que nossos leitores também percebessem que eram pessoas e não apenas números. Nesse sentido, o mapa rastreou onde fui para dar um panorama da jornada que fiz para encontrar essas pessoas.

O que acham que é o aspecto mais desafiador de contar histórias em uma plataforma digital?

Samar Halarnkar, editor do IndiaSpend: A transição de um jornalista de imprensa para digital não é fácil. Para esta matéria, tivemos que ser adeptos de storytelling, tuites ao vivo, análise de dados, mídias sociais, vídeos. São muitas as habilidades necessárias para contar uma única história! Diante disso, acho que a coisa mais importante e também a mais desafiadora é simplesmente ser organizado. Você precisa descobrir uma área e cronograma para a história. Deve ter clareza sobre as pessoas que vai entrevistar e o que precisa de cada uma delas para obter dados consistentes. Também precisa planejar os elementos de tecnologia que usará e como incorporá-los na narrativa.

Farah Thakur, editora assistente do IndiaSpend: A parte mais desafiadora de contar a história em uma plataforma digital foi que havia tanta informação e não sabíamos como organizá-la inicialmente. Havia tantas perguntas, tantas fotos, mas não sabíamos como juntar tudo. Tivemos uma sessão com o [especialista em treinamento de mídia do Google News Lab] Surabhi Malik e Irshad, e eles nos mostraram o Google MyMaps. Queríamos dar uma chance.

Como o público respondeu a esta matéria e ao formato?

Daftari: O público respondeu muito bem ao Google MyMap que nós incorporamos. Havia cerca de quatro cliques no mapa para cada visualização de página, o que significa que os leitores estavam altamente engajados, clicando em vários perfis de proprietários de loja para ver como a desestabilização afetou esses indivíduos. Chamamos a atenção de outros grandes meios de comunicação que republicaram o conteúdo e o Partido Aam Aadmi, um partido político indiano, também compartilhou as fotos tiradas como parte da história em [sua] página no Facebook.

Saldanha: Eu recebi muitos comentários dos leitores dizendo: 'Ah, vocês são os únicos que cobriram lojas familiares. Isso foi tão legal com a visualização. "Sempre é bom... acho que geralmente recebemos bons comentários para nossas histórias, ... mas neste caso, o que foi particularmente agradável  é que outras salas de redação na cidade e no país estavam comentando. Estavam dizendo: "Essa é uma ótima matéria, todos nós realmente gostamos do que vocês fizeram. ... Nós deveríamos ter usado esses mapas". Nós geralmente não ouvimos isso de outras redações, então damos muito valor a isso.

O que poderia ser feito para melhorar as ferramentas que vocês usaram?

Daftari: Gostaríamos de ter uma maneira de fundir o MyMap com alguns arquivos KML pré-definidos ou JavaScript (um pouco como OpenStreetMaps). Isso nos daria a capacidade de codificar por cores as áreas específicas ou características geográficas nos dados. Nós podemos fazer isso agora, mas requer o uso de tabelas Fusion, além de MyMaps, o que torna a construção mais demorada. (Verifique este exemplo do IndiaSpend mostrando essa ideia em ação ou esta matéria, que usou as mesmas ferramentas para fazer um GIF.)

Saldanha: Gostaria de poder fazer o texto [nos perfis dos proprietários] um pouco menos minúsculo. Pode ser difícil de ler quando você está deslizando para cima e para baixo, especialmente em um telefone. Eu acho que ter mais controle sobre a aparência desses dados e texto seria bom - coisas como alterar as cores ou ajustar o tamanho da imagem. Precisamos de uma maneira de enfatizar as respostas mais marcantes.

Quais são algumas das principais lições que vocês compartilhariam com outras salas de redação na esperança de fazer algo parecido?

Halarnkar: As salas de redação indianas devem se familiarizar com diferentes ferramentas digitais disponíveis à sua disposição, como estamos tentando fazer no IndiaSpend. Também precisam aprender a melhor extrair os dados, especialmente de diferentes fontes. E, por último, a organização deve ter a capacidade de incluir o uso de ferramentas digitais, dados e storytelling de uma maneira otimizada.

Saldanha: Certifique-se de planejar. Quaisquer grandes projetos de storytelling como esse envolvem ter uma certa ideia do que você vai dizer com todos esses dados e como conseguir obter esses dados. Por exemplo, quando fui apurar a história, tive que planejar com antecedência: "Eu vou bater nessas lojas em Mumbai e daí vou para além de Mumbai para áreas mais rurais, e meio que ver como elas vão indo". Isto é, eu planejei minha viagem fisicamente - indo de uma loja para a outra - e digitalmente - o que cada elemento seria, antecipadamente com meus colegas.

Irshad Daftari, estrategista de mídia experiente, é especializado em jornalismo digital, engajamento do público e desenvolvimento de produtos de notícias. Ele tem uma experiência sólida em formação jornalistas locais sobre as últimas ferramentas de jornalismo online, incluindo Google Fusion Tables, Dataminr, Newswhip, Facebook Live, cronogramas interativos e uma variedade de plataformas de análise. Saiba mais sobre seu trabalho como Google Fellow do ICFJ aqui.

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