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Como promover comunidade entre jornalistas de saúde pode ajudar a revitalizar a editoria

Como promover comunidade entre jornalistas de saúde pode ajudar a revitalizar a editoria

H R Venkatesh | 19/09/17

Eu não cresci pensando que seria jornalista de saúde. Ainda hoje não penso em mim assim. Mas depois de mais de 16 anos metido a profissional, tenho um novo respeito pelas mulheres e homens que cobrem a editoria de saúde. Eu percebi também que, ao contrário de muitas editorias, o trabalho requer habilidade e compromisso apenas para dominar o básico.

Habilidade, porque o jornalismo de saúde e desenvolvimento exige um profundo conhecimento da área e uma capacidade de descobrir dados bons, o que requer vários anos de experiência. Compromisso, porque há pouco do glamour associado com outras editorias como política, crime, esportes e até negócios. E, no entanto, acho que não tem editoria mais importante do que o jornalismo de saúde.

7 razões para fazer jornalismo de saúde pública

Entre as organizações de mídia relativamente novas nos Estados Unidos, a Vox se destaca com foco no jornalismo de saúde e explicadores. A correspondente sênior de saúde do site, Julia Belluz, listou três razões para fazer jornalismo em saúde pública em um artigo de 2015, que vale a pena revisar.

Primeiro, ela disse, as pessoas tendem a prestar atenção ao que a mídia está reportando quando se trata de saúde.

Segundo, o bom jornalismo em saúde ajuda a informar as políticas governamentais, disse Belluz. "Os tomadores de decisão... contam com jornalistas para reportar o que é novo e importante no mundo da medicina e da pesquisa em saúde", escreveu ela.

Além disso, o bom jornalismo em saúde pública ajuda a manter o governo responsável. Belluz explicou: "O serviço de saúde é um negócio ... [e] precisa ser responsabilizado. O Quarto Estado ... não é apenas um pilar de uma democracia em funcionamento; é um pilar da saúde pública."

Uma quarta razão pela qual é importante que os jornalistas cubram a saúde pública -- especialmente relevante para economias emergentes como a Índia -- é que a saúde pública ajuda a indicar o quão bem (ou mal) um governo está atendendo seus cidadãos.

"Uma boa saúde pública em geral é uma condição da sociedade desenvolvida", disse Vinod K. Jose, que edita a revista indiana The Caravan. É óbvio que o bom jornalismo em saúde pública ajuda a informar todas as partes interessadas -- a administração e os cidadãos -- sobre onde estamos e o que devemos fazer para chegar lá.

Um quinto motivo para se concentrar no jornalismo em saúde pública é que faz a gente se sentir bem. Trabalhei em notícias de TV por 12 anos, onde fomos rápidos em reivindicar crédito por impactos políticos ou mesmo declarações governamentais sem uma clara correlação. Isso não é um problema com o jornalismo dedicado à saúde pública. Porque não há muitas vozes que publicam material de qualidade, a causa e o efeito estão mais claramente estabelecidos.

Seis, a publicação de jornalismo inovador em saúde pública é boa para a sua marca. E sete, produzir um bom jornalismo em saúde pode ajudar as organizações de notícias -- especialmente as digitais -- a desenvolver o lado comercial.

Desafios

Então, se tudo é bom, por que não temos jornalistas de saúde suficientes? Posso pensar em pelo menos seis razões. Estou disposta a apostar que a maioria dessas razões são relevantes no mundo além dos EUA e União Europeia.

Primeiro, não é ensinado em faculdades de jornalismo. Demora anos para se melhorar, há muito pouca transferência de conhecimento e não é uma editoria disputada. Também não é uma prioridade para editores, por muitos dos motivos descritos acima. Nem ganha prêmios. O prêmio de jornalismo mais prestigiado da Índia, o prêmio Ramnath Goenka, dá prêmios para reportagens ambientais e esportivos, mas nenhum para jornalismo em saúde.

Precisamos de uma comunidade de jornalistas de saúde

Se os jornalistas de saúde fazem parte de uma comunidade, isso faria diferença para eles? E outros no ecossistema em torno do jornalismo em saúde o achariam útil? Eu acredito que a resposta a ambas as perguntas é "sim" e comecei a trabalhar na construção dessa comunidade com a ajuda de alguns jornalistas importantes na Índia.

Pensamos que a comunidade vai reunir as pessoas em cinco maneiras:

  • O site da comunidade será uma janela para recursos e informações geralmente difíceis de encontrar: sites confiáveis e fontes de dados; especialistas credíveis que podem ser consultados para matérias; e repórteres que podem ser comissionados para fazer reportagens de saúde.
  • Nós também planejamos criar um grupo do Facebook para sustentar a interação humana.
  • Uma newsletter trimestral pode ser enviada para atualizar os membros sobre o que está acontecendo dentro do grupo, novos membros e uma vitrine para o trabalho excelente no nicho do jornalismo de saúde pública.
  • O site também funcionará como um portal para oportunidades relacionadas ao jornalismo em saúde, como postagens de trabalho, bolsas de estudo, bolsas, etc.   
  • Eventos: nos reuniremos regularmente, informalmente e formalmente para treinamento, compartilhamento de conhecimento e diversão.

A chave a observar aqui é que a comunidade está aberta a todos com interesse ou participação na saúde pública. Sobretudo, estamos à procura de colegas jornalistas de saúde para dedicar o seu tempo e energia para dirigir esta comunidade conosco, independentemente de onde se baseiam.

H.R. Venkatesh tem mais de 15 anos de experiência como jornalista em todos os papéis de reportagem, edição a ancoragem. Ele é ex-bolsista no Centro Tow-Knight para Jornalismo Empreendedor e fundador da NetaData, um site de notícias políticas indiano. Saiba mais sobre seu trabalho como bolsista Knight do ICFJ aqui.

Imagem sob licença CC no Flickr via Hamza Butt

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